sábado, 9 de agosto de 2008

CGI.br teme que país possa sofrer novos apagões na Internet

Técnicos da Telefônica, nesta sexta-feira,08/08, estiveram reunidos por quase duas horas com os membros do Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br). Foram explicar o porquê de o Estado de São Paulo ter ficado sem Internet, entre os dias 2 e 3 de julho. Foram mais de 36 horas de "apagão". A pane aconteceu a partir de uma falha em um dos roteadores da rede IP/MPLS banda larga da concessionária. Ela acabou se alastrando, apesar de a rede possuir dispositivos de segurança que, na prática, falharam. Ao término do encontro, os membros do CGI.br saíram atordoados.

Não há nenhuma garantia de que tal problema não possa novamente acontecer com a própria Telefônica ou com as demais concessionárias de telefonia, também prestadoras dos serviços de Internet banda larga. Pela forma como o problema foi relatado, os técnicos do CGI.br temem que o país possa vir a sofrer um outro "apagão" ocasionado por falhas técnicas semelhantes.

Sigilo

Na reunião, um dos representantes da Telefônica apresentou um documento contendo, segundo ele, mais detalhes sobre o episódio - com informações além do que foram reveladas ao público por intermédio do presidente da empresa, Antonio Carlos Valente, quando o executivo convocou a imprensa para tentar explicar a pane.

"Nós tomamos a liberdade neste fórum (CGI.br) de trazer um pouco mais de informação do que a gente está trazendo para o público. Então, por outro lado, peço que se mantenha o acesso a este documento restrito ao grupo que está aqui", solicitou o funcionário da Telefônica que coordenava a equipe técnica, composta por cinco pessoas.

O portal Convergência Digital respeitará o sigilo dos nomes destes funcionários, pois eles não têm culpa se a empresa preferiu omitir alguns fatos do público consumidor. Apenas técnicos participaram desta reunião com o CGI.br, onde a Telefônica foi convocada para explicar uma pane que deixou o maior Estado do país sem internet por quase dois dias e, em alguns casos, empresas e órgãos públicos federais de outras regiões que contavam com os dados repassados por São Paulo.

De fato, o problema na rede da Telefônica começou na manhã do dia 2 de julho quando, internamente, os técnicos começaram a reparar que havia uma degradação no tráfego. O sinal estava intermitente na rede IP/MPLS, fato incomum e fora dos limites "aceitáveis" pela empresa. Simultaneamente começaram a chegar as reclamações de clientes, que buscavam informações junto ao call center da operadora sobre as quedas do serviço. A rede já sofria as oscilações, afetando ao mercado corporativo e aos consumidores de banda larga do Speedy.

Imediatamente o CPqD teria sido chamado pelos técnicos da Telefônica para. em conjunto, tentar identificar o que estaria ocorrendo, pois a rede insistia em manter seu tráfego intermitente, apesar de nenhum dano físico ter sido detectado. O técnico da Telefônica assegurou ao Comitê Gestor da Internet de que todas as ações tomadas para tentar sanar o problema foram implantadas a partir de um acordo entre a operadora, o CPqD e os quatro fabricantes de equipamentos que atendem à Telefônica, que também foram procurados para dar explicações sobre o problema.

Até então, a Telefônica trabalhava com uma rede precariamente sem saber o porquê das oscilações e das quedas de conexões dos usuários. Em algum ponto desta rede havia uma falha, mas os técnicos não conseguíam identificá-la. A partir daí foi que se começou a configurar o verdadeiro "apagão", conforme admitiu o presidente da concessionária à imprensa.

Para espanto dos membros do Comitê Gestor da Internet do Brasil, os técnicos informaram que a Telefônica só encontrou uma alternativa, nada tecnológica, para resolver o problema. Adotou o mesmo procedimento que uma pessoa comum faz quando há o travamento do seu sistema operacional num computador: Desliga o equipamento e o religa novamente.

Só que numa rede de transmissão de dados não se desliga tudo no mesmo momento, pois há um tempo para o sinal ir desaparecendo em toda a sua malha. Depois que se consegue efetivamente parar a transmissão é que chega a hora de religar o sistema e, desta forma, verificar se é daquele ponto que partia algum tipo de anomalia de sinal ou de tráfego de dados.

Esse procedimento foi adotado em várias etapas e locais da rede da Telefônica nos dois dias em que São Paulo ficou com a Internet em condições precárias. Até que, quando os sistemas foram religados na região de Sorocaba, no interior paulista, os técnicos começaram a visualizar que partia dali os dados "corrompidos" por um roteador, que acabava gerando a degradação na transmissão dos pacotes de dados em toda a rede.

A reunião não foi conclusiva. Mas o Comitê Gestor terminou o encontro ciente de que a Internet Brasileira está fragilizada pela falta de contingenciamento por parte das empresas, assunto que deverá provocar amplo debate entre a entidade e a Anatel - que foi representada no encontro pelo conselheiro Plinio Aguiar - pois a empresa deverá sofrer um longo processo por quebra de qualidade na prestação do serviço.

:: Convergência Digital :: 08/08/2008

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