sábado, 27 de dezembro de 2008

Vida Digital: “Uma reflexão sobre 2008”



Avançamos muito em 2008 no que diz respeito à tecnologia, aliás, como vem acontecendo a cada ano, há mais de 20 anos. Novas tecnologias surgem, outras são aperfeiçoadas, suas aplicações se generalizam barateando os custos e fazendo os preços caírem, tornando-as acessíveis a todos e em todo o mundo.

Do ponto de vista exclusivamente tecnológico é extremamente animador ver a TV digital, embora engasgando aqui e ali, se expandir e levar aos consumidores brasileiros novos recursos e mais interatividade, ver o preço das TVs de LCD despencar, ver o tão desejado iPhone, embora com preços astronômicos, chegar oficialmente ao país, ver o acesso à internet chegar em quase todos os cantos do Brasil através das redes 3G que, embora ainda capengas, prometem ao menos abrir os olhos das grandes operadoras e fazer com que abram suas carteiras e resolvam investir mais na infra-estrutura de suas redes de banda larga convencionais que, após anos de implantação ainda contam com baixíssima capilaridade, chegando a poucos e privilegiados domicílios das grandes capitais.

Agora, do ponto de vista do desenvolvimento humano, o que o acesso à tecnologia tem proporcionado à gigantesca massa de mais de 140 milhões de celulares ativos, muitos com acesso à internet, mp3 player, jogos, TV e uma infinidade de outros recursos? Infelizmente, quase nada. E o motivo é simples: falta de conhecimento e educação.

Tomemos como exemplo o clássico de Stanley Kubrick, “2001 - Uma Odisséia no Espaço”, de 1968. No filme, que aborda a evolução humana desde 4 milhões de anos antes de Cristo até 2001, quando um monólito enviado por alienígenas cai na Terra, nossos antepassados primatas tem acesso à mais alta tecnologia extra-terrestre e, sem compreendê-la, não tem a menor idéia sobre o que fazer.

Hoje, em 2008, à beira de 2009, qualquer um tem acesso a aparelhos celulares com os mais diversos recursos e avanços tecnológicos, mas o que fazem com eles além de usá-los como símbolo de status? Quase nada de útil.

Trocam mensagens bobas de texto recheadas de erros grosseiros de português, que diga-se de passagem, acreditam ser ‘cool’, colocam toques musicais engraçadinhos e duvidosos como “Créu” e afins, assistem a vídeos ainda mais grotescos no YouTube, que compartilham entre seus amigos e é isso. Finito. ‘That’s all folks’.

Não só apóio como acredito que a popularização do acesso à informação seja um passo importante no amadurecimento intelectual de uma sociedade, mas não podemos nos enganar acreditando que a tecnologia em si seja o suficiente para criar um paradigma capaz de melhorar e fazer avançar a educação de um povo. É preciso investir no ensino e na difusão do conhecimento e, aí sim, não só podemos como devemos contar com o apoio da tecnologia como mais uma ferramenta que nos auxiliará a atingir objetivos mais nobres e concretos.

Sim, eu sei, pode parecer utópico, mas é inevitável que esses pensamentos aflorem nessa época do ano, quando avaliamos o que produzimos no ano que termina e projetamos nossos sonhos e desejos para um período, novinho em folha, que se inicia com a chegada do ano novo. Como nos sonhos, nada é utópico ou inatingível, basta querer.

(Cesar Dechen)

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