domingo, 4 de janeiro de 2009

Individualismo já é forte no berço da revolução cubana



Famílias ainda vivem em cabanas e as carroças puxadas por bois, burros e cavalos superam o número de carros

Juan González ama Fidel Castro. Mas ele também é um realista. "As pessoas fazem o que podem. Elas não ficam apenas sentadas e esperam que o governo lhes dê tudo", diz o cubano de 59 anos, sentado em frente à sua casa. "Se elas esperam que o governo dê tudo e cumpra todas as promessas, terão que esperar por um tempo muito longo. Talvez mais cinquenta anos".

Isso parece com o tipo de rude individualismo que teria ressonância entre os norte-americanos, mas isso foi dito na Sierra Maestra, no Leste de Cuba, o berço da revolução que levou Fidel Castro ao poder há cinquenta anos, em 1º de janeiro de 1959, quando Cuba ingressou na era comunista, que prometia igualdade sob um regime muito controlador e centralizador.

Aqui, a mais de 800 quilômetros de Havana, as pessoas tendem a manifestar seus pensamentos de maneira mais livre, até mesmo reclamam de maneira aberta contra as privações.

Elas também sentem um vazio cada vez maior entre as gerações - entre os velhos cubanos que apoiaram totalmente o regime comunista, e os jovens que querem mudanças, em um tempo no qual o doente Fidel Castro, de 82 anos, foi substituído por seu irmão mais novo, Raúl Castro, de 77 anos, e no qual o jovem presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama, de 47 anos, se prepara para tomar posse na Casa Branca.

A Sierra Maestra é onde Fidel Castro e seus guerrilheiros sobreviveram a 10 mil soldados enviados em maio de 1958, pelo ditador Fulgencio Batista, para esmagar a revolução. Os guerrilheiros não só sobreviveram à ofensiva do exército enviado por Batista, como começaram a ganhar terreno nos meses seguintes e em 1º de janeiro de 1959 a revolução triunfou com a fuga de Batista e a entrada dos rebeldes nas duas maiores cidades do país, Havana e Santiago de Cuba.

González, do vilarejo de Santo Domingo, tinha 9 anos quando a rebelião cubana, hoje universalmente conhecida como "La Revolución" triunfou. Agora que a revolução completa 50 anos, como ele se sente?

"As pessoas aqui se sentem bem, mas nem todo mundo tem a mesma fatia de orgulho", disse. Isso é porque as promessas de um futuro brilhante não vieram tão rapidamente como as pessoas esperavam. A eletricidade, a água corrente e os serviços de telefonia são relativamente novos aqui. Algumas famílias ainda vivem em cabanas sujas e lavam suas roupas em rios. Carroças puxadas por bois, burros e cavalos superam o número de automóveis e caminhões.

(gazeta digital)

Nenhum comentário: