quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Notebook completa 40 anos



Alan C. Kay foi o primeiro homem a imaginar o que seria um computador portátil e, para celebrar os 40 anos da idéia do cientista da computação, nesta quarta-feira, 5, o Computer History Museum, na Califórnia, prestará uma homenagem com um painel de discussões.

Em 1968, o projeto do Dynabook -- lendário portátil nunca construído -- foi elaborado, no papel, pelo ex-desenvolvedor da Xerox PARC, a divisão de pesquisa da Xerox Corporation localizada em Palo Alto, na Califórnia, famosa por agregar o surgimento de tecnologias inovadoras - como por exemplo o mouse, a rede de computadores como a conhecemos hoje e a interface gráfica.

O protótipo de Kay não foi aceito, em princípio, pela Xerox PARC, que não quis desenvolver a idéia. Contudo, foi utilizado como base para a criação dos computadores portáteis que conhecemos hoje - mas isso só viria a acontecer treze anos depois, com o lançamento, em 1981, do Osborne-1 pela Osborne Computer Corporation. O Osborne-1, entretanto, estava longe do que fora sonhado pelo cientista. Pela sua idéia, as máquinas deveriam ter pequeno volume e pouco peso, tornando-se fáceis de transportar.

Ao se levar em consideração que o presidente do Viewpoints Research Institute pensou nisso na década de 1960, em que um computador pesava centenas de quilos e ocupava uma sala inteira, não é surpresa que o desenvolvedor tenha entrado na lista dos 50 maiores visionários da história da tecnologia, publicada pela PC World -- afinal, o Dynabook tornou-se referência fundamental para a criação dos laptops, smartphones e netbooks.

Para Kay, entretanto, apesar da semelhança visual, os netbooks, ou subnotebooks, não chegam a atingir o conceito do que seria o Dynabook. "Gostaria de pensar que [esses portáteis] estão encontrando um meio de se adaptar aos seres humanos, mas presumo que isso ocorre porque muitas pessoas os para poucas coisas, apenas uma pequena parte do que poderiam fazer se estivesse usando máquinas mais potentes. Muitas das operações que se faz hoje [nos netbooks] podem ser executadas dentro do browser de Internet ou por meio de programas simples. Essa é uma maneira muito limitada de usar os netbooks, já que não tem nada de diferente do que se faz com dispositivos ainda menores, como PDAs e celulares. São usos muito limitados do [poder de] computação dos netbooks", afirma o visionário em entrevista ao blog da revista Wired. "Se for assim, isso é mais uma decepção do que algo a se comemorar", completa.

Sua aposta para o futuro próximo dos portáteis é uma revolução dos pixels. Desenvolver métodos para explorar cada vez mais seu potencial é o mais importante, em sua opinião: "O que é realmente triste é ver as pessoas sacrificarem funcionalidades e valores reais para a portabilidade nas telas pequenas", defende.

Além de imaginar os futuros laptops, Alan Kay foi um dos inventores da linguagem de programação SmallTalk e é considerado um dos pais da Programação Orientada a Objetos, que revolucionou a forma de escrever programas nos anos 70 e 80 e ainda hoje é o paradigma de desenvolvimento de software mais usado no mundo.

Entre os participantes que homenagearão Kay no Computer History Museum estão Mary Lou Jepsen, a designer do notebook OLPC XO, que teve Alan Kay como co-desenvolvedor (o OLPC XO é baseado no ideal de portátil voltado ao ensino para crianças que ele teve) e Chuck Thacker, o co-inventor da rede ethernet LAN.

(yahoo)



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